"Mães abrem negócios para conciliar carreira e filhos", dizem autoras

12/10/2013 02h00

FILIPE OLIVEIRA
DE SÃO PAULO

Para Patrícia Travassos, 39, e Ana Cláudia Konichi, 31, o empreendedorismo pode ser uma opção para o dilema materno de ter de priorizar ou a carreira ou os filhos.

Neste mês, elas lançam o livro "Minha Mãe é um Negócio", resultado de mais de 200 entrevistas com mães empreendedoras. Estas começaram em 2009 e deram origem à série de TV "Mães S/A", que foi apresentada no "Fantástico", da Rede Globo, em 2012.

Em entrevista à Folha, elas falaram sobre "empreendedorismo materno". Leia abaixo os principais trechos.

Folha - No livro, vocês chamam o empreendedorismo feminino de "revolução antropológica". Por quê?

Patrícia Travassos - Desde a revolução dos anos 60, as mulheres buscavam espaço e reconhecimento no mercado de trabalho. Mas agora muitas têm um novo conflito quando viram mães e estão no mercado.
Para conciliar a divisão entre vida pessoal e profissional, elas estão saindo dos empregos e voltando para casa, mas sem abandonar suas carreiras. Elas abrem um negócio para conciliar as duas coisas. Chamamos isso de segunda revolução feminina.

A culpa é o sentimento que move essas mulheres para abrir os negócios?

Travassos - É um dilema... Podemos dizer que é a culpa. Até a geração anterior, era natural que a mulher deixasse um emprego para cuidar integralmente do filho.
Na geração atual, dificilmente a mulher faz esse movimento sem frustração. Além disso, hoje é mais difícil a família abrir mão do salário da mulher.

O empreendedorismo de uma mãe tem algo diferente do que o de uma mulher sem filhos?

Travassos - Tem algumas ilusões e erros característicos. Um deles é que elas acham que terão mais tempo de ficar com os filhos. Isso pode acontecer, mas provavelmente não no início da empresa, quando ela terá de dedicar quase todas as horas do dia ao trabalho.
Konichi - O que mais diferencia é o significado de sucesso: para elas, significa ter uma empresa de um tamanho em que se consegue manter a qualidade de vida.

E o objetivo de ficar perto dos filhos é alcançado?

Travassos - Desde o início do negócio, as mulheres conseguem alguma autonomia nos horários. Isso não significa que ela trabalha menos, mas pode sair do trabalho se o filho está doente sem ver cara feia do chefe. Mas, depois do médico, ela vai trabalhar até de madrugada.

Em geral as mães se preparam para empreender?

Travassos - Varia com as classes sociais. Nas classes A e B, a mulher, em geral, adia um pouco a maternidade e tem filhos depois dos 30 anos, quando já teve uma profissão, com mais maturidade.

Já para as mulheres da classe C, a maternidade costuma vir mais cedo, quando não há experiência. O que elas têm é muita coragem para fazer.

Vocês são empreendedoras [sócias em uma produtora de conteúdo], mas ainda não são mães. Também se deparam com essas questões?
Travassos - É uma preocupação, apesar de termos chegado ao tema por acaso. Sempre adiei a maternidade para cuidar de outros projetos. Mas pensamos em algumas soluções. Podemos colocar um berçário aqui na empresa [risos].

"Minha Mãe É um Negócio"
AUTORAS Patrícia Travassos e Ana Claudia Konichi
EDITORA Saraiva
QUANTO R$ 29,90 (152 págs.)